A integração de sistemas de gestão de riscos na infraestrutura digital da empresa está se tornando um fator crítico para a implementação bem-sucedida de grandes projetos industriais. Em condições de incerteza global e restrições de sanções, as abordagens tradicionais para avaliação de ameaças demonstram sua ineficiência. Durante o webinar, a diretora de desenvolvimento de infraestrutura digital da Gazprom-Media Holding, Yana Krukhmaleva, analisa a evolução da gestão de riscos na Rússia usando o exemplo dos maiores projetos de infraestrutura e explica por que o setor está inevitavelmente se movendo em direção ao trabalho com Big Data.
A análise qualitativa clássica de riscos frequentemente se baseia em opiniões de especialistas, que estão inevitavelmente sujeitas a vieses cognitivos. Com base em pesquisas em economia comportamental, a palestrante mostra que as pessoas tendem a pensar irracionalmente em condições de incerteza. Na prática, isso leva a uma abordagem formal: os especialistas não se aprofundam na análise de ameaças ou caem em armadilhas mentais, como o efeito Dunning-Kruger ou a apofenia (busca de padrões onde objetivamente não existem).
Além disso, na avaliação coletiva de riscos, surge o paradoxo de Condorcet — uma situação em que as opiniões dos especialistas divergem tanto que é matematicamente impossível derivar uma avaliação média objetiva. Para identificar o grau de concordância das opiniões, propõe-se o uso do coeficiente de concordância de Kendall. Se a concordância for baixa, a responsabilidade pela decisão final deve ser assumida pelo gerente do projeto, com base em suas competências, e não em pontuações médias.
Tentando fugir da subjetividade da análise qualitativa, muitas empresas estão migrando para métodos quantitativos, em particular, a modelagem pelo método de Monte Carlo. No entanto, a apresentação examina detalhadamente a principal falha dessa abordagem: os dados de entrada para o modelo matemático ainda são avaliações subjetivas de especialistas.
Como resultado, modelos quantitativos complexos frequentemente se transformam em uma ferramenta para tranquilizar a gestão, desenhando uma imagem ideal de cumprimento de prazos e orçamentos, que não tem relação com a situação real no canteiro de obras.
A única maneira de aumentar drasticamente a objetividade da avaliação da probabilidade de eventos é o uso de Big Data. A criação de lagos de dados corporativos (Data Lakes) permite acumular estatísticas em larga escala sobre incidentes, falhas de equipamentos, interrupções no fornecimento e ameaças externas.
A principal tarefa nesta fase é garantir a relevância e a pureza dos dados, eliminando ao máximo o fator humano ao inseri-los. A coleta de informações deve ocorrer automaticamente, diretamente das instalações de produção e sistemas de informação adjacentes. Somente com base em conjuntos de dados confiáveis é possível aplicar efetivamente a análise preditiva e algoritmos de aprendizado de máquina para a previsão real de riscos.
Um problema importante da governança corporativa continua sendo a comprovação da eficiência econômica dos próprios departamentos de gestão de riscos. A palestrante propõe o uso do coeficiente de correlação bisserial de Pearson para comparar as previsões iniciais dos especialistas com a ocorrência real dos eventos. Se o coeficiente for próximo a zero, as previsões do grupo de especialistas não têm valor prático e o processo precisa ser revisado.
A questão da escolha do software também é levantada. A experiência do uso de sistemas ocidentais pesados mostrou sua vulnerabilidade a sanções e inflexibilidade em relação às solicitações dos usuários. Hoje, o foco está mudando para soluções de TI russas (por exemplo, a plataforma RisGap), que oferecem uma interface mais intuitiva, facilidade de implementação e independência de restrições externas.
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