Isso aconteceu no distante ano de 2012. Sendo eu, na época, um jovem especialista em segurança do trabalho com apenas seis meses de experiência no cargo, tive que participar da investigação de um acidente incomum.
Os eletricistas de manutenção e reparo de equipamentos elétricos, Andrei e Rustem, foram designados pelo supervisor para realizar a manutenção de motores elétricos em uma sala de compressores. Havia um ruído constante no local vindo de vários motores em funcionamento. Eles desligaram o motor nº 3, que seria revisado, através de um interruptor na parede, e decidiram sair para fumar um cigarro antes de começar o trabalho. Após fumarem e retornarem, Andrei começou a tirar as ferramentas da bolsa, enquanto Rustem tirou sua jaqueta de proteção e a pendurou no interruptor. Decidiram primeiro remover a carcaça da ventoinha de resfriamento do motor e Rustem, pegando uma chave de fenda com Andrei, aproximou-se do motor nº 3. No entanto, nenhum deles percebeu que o peso da jaqueta acionou o interruptor e ela caiu no chão. O motor começou a funcionar. Devido à alta velocidade de rotação da ventoinha e ao ruído dos outros motores, não era perceptível se aquele motor estava ligado. Totalmente convencido de que o motor estava desligado, Rustem agachou-se diante dele, segurando a chave de fenda na mão direita. Com a mão esquerda, ele segurou a carcaça da ventoinha e seu dedo indicador, ao entrar na abertura de ventilação, foi imediatamente decepado pela ventoinha em rotação. Andrei ouviu um grito terrível que abafou o som dos motores e, ao se virar, viu seu parceiro rolando pelo chão, segurando a mão esquerda ensanguentada com a direita, gritando desesperadamente com os olhos arregalados.
Andrei ficou apavorado com a cena terrível que viu, abriu a porta e saiu correndo da sala. Em questão de segundos, chegou ao escritório do supervisor e, gaguejando, contou o que havia acontecido. O supervisor chamou a ambulância e, pegando o kit de primeiros socorros, correu acompanhado por Andrei para ajudar a vítima. Após prestarem os primeiros socorros, aguardaram a chegada da ambulância e entregaram Rustem aos cuidados dos médicos.
A investigação do acidente começou. A comissão interrogou a testemunha e pediu que mostrasse no local do ocorrido o que realmente havia acontecido. Ao chegarem à sala de compressores, abriram a porta e entraram. Andrei, dizendo: "Vou mostrar o que aconteceu", correu em direção ao motor. Nenhum de nós teve tempo de gritar uma palavra antes que ele enfiasse o dedo indicador da mão esquerda na abertura de ventilação da carcaça da ventoinha de resfriamento daquele mesmo motor. Os membros da comissão nunca haviam ouvido um grito tão terrível e arrepiante em suas vidas. Um segundo depois, Andrei já estava rolando pelo chão, segurando a mão esquerda ensanguentada com a direita, com os olhos arregalados e gritando desesperadamente...