A implementação de ferramentas digitais na segurança do trabalho muitas vezes se limita à instalação de câmeras de vídeo e ao registro básico de incidentes. No entanto, o verdadeiro potencial dos dados é revelado ao passar do simples registro de infrações para um ecossistema proativo. Em sua apresentação, Alexander Bondarenko, diretor de HSE da SSGPO (integrante da ERG), detalha a experiência de transformar soluções digitais fragmentadas em um ecossistema unificado de IA, permitindo que a empresa atingisse marcas históricas de operação sem acidentes fatais.
Historicamente, a empresa registrava uma média de cinco fatalidades por ano. O ponto de virada foi a adoção de melhores práticas globais adaptadas e uma digitalização em grande escala. Um dos primeiros passos, implementado ainda em 2016, foi o uso de drones para monitorar atividades de alto risco. Na prática, essa ferramenta provou sua importância crítica: em 2021, o piloto de um drone percebeu a tempo dois trabalhadores descansando na sombra sob uma bancada onde eram realizadas operações. O ruído das hélices fez com que eles saíssem da zona de perigo apenas 12 segundos antes do desabamento da massa rochosa.
Hoje, o controle técnico abrange mais de 1.800 câmeras fixas e cerca de 500 câmeras corporais. O enorme volume de dados de vídeo não fica acumulado sem uso nos servidores, mas é convertido em material instrucional. Mensalmente, a equipe de HSE edita vídeos curtos que demonstram tanto falhas quanto exemplos de execução segura das tarefas. Esse conteúdo é exibido em 200 painéis de TV nas salas de instrução e emissão de ordens de serviço antes do início de cada turno, consolidando um processo contínuo de aprendizagem rápida (microlearning).
O palestrante dá destaque especial à avaliação da comunicação entre gestores e operários. A empresa implantou um sistema de análise automática dos diálogos diários de segurança (DDS) e diálogos comportamentais. Os supervisores gravam suas orientações em gravadores de áudio, e os algoritmos avaliam a qualidade da conversa com base em uma metodologia aprovada.
Graças às ferramentas de automação, o gestor recebe um feedback estruturado em apenas 45 segundos: o sistema destaca os pontos fortes do diálogo e as oportunidades de melhoria. Os dados são sincronizados com painéis de controle (dashboards), gerando uma visão unificada de todas as unidades.
Para preparar os novos supervisores para a realização de auditorias, foi desenvolvido um simulador interativo de treinamento. Nesse sistema, a inteligência artificial encena diferentes perfis de trabalhadores — desde o colaborador receptivo até o resistente ou fatalista. O desafio do supervisor é conduzir o diálogo de forma a levar o interlocutor virtual à conscientização sobre os riscos.
Uma das ameaças ocultas nas operações industriais continua sendo a fadiga dos colaboradores, que não pode ser detectada por bafômetros convencionais. Para solucionar esse problema, a equipe desenvolveu um módulo de hardware e software (PAM 60).
O sistema avalia o tempo de resposta da pessoa utilizando um volante e pedais de simulação, emitindo sinais ao longo de um minuto. Simultaneamente, uma câmera 4K com anel de LED realiza a pupilometria — medindo a velocidade de constrição e recuperação da pupila sob estímulo luminoso, além de registrar a vermelhidão ocular. O grande diferencial do sistema é a dispensa de padrões genéricos médios. O módulo acumula estatísticas individuais de cada funcionário e compara os dados atuais com o seu histórico pessoal. Caso o tempo de reação e os parâmetros pupilares se desviem do padrão do indivíduo, o trabalhador não é punido, mas sim redirecionado para tarefas auxiliares na oficina, eliminando o risco de acidentes na rota de operação.
A implementação de modelos generativos geralmente envolve riscos de vazamento de informações confidenciais. Para evitar isso, a empresa apostou em aplicativos offline autônomos executados no navegador e em modelos de linguagem locais. Isso permite automatizar análises complexas com total segurança:
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