A garantia da segurança viária em grandes instalações industriais e portuárias exige uma abordagem estruturada e abrangente. Em cenários de transporte de passageiros em grande escala, deslocamento diário de milhares de colaboradores, operação intensa de equipamentos especiais e logística complexa de cargas pesadas, medidas pontuais de resposta a incidentes deixam de gerar resultados. Para uma redução real e sustentável da acidentalidade, é necessária uma transição evolutiva de um modelo de gestão reativo — de "apagar incêndios" após os acidentes — para um sistema proativo baseado na avaliação prévia de riscos e na consolidação de uma cultura consciente de segurança.
Nesta apresentação, é examinada em detalhes a experiência prática na transformação da gestão de segurança no transporte. O palestrante detalha passo a passo o processo de construção de um sistema multicomponente que combina modernização da infraestrutura, automação do controle, rigor nas exigências para empresas contratadas e mudança de hábitos comportamentais da equipe em todos os níveis.
A base para minimizar incidentes de transporte na área operacional é a organização adequada do espaço físico. A análise de acidentes demonstra frequentemente que a causa raiz não é apenas o fator humano, mas também o cruzamento de fluxos de tráfego veicular e de pedestres incompatíveis em áreas de alta intensidade.
A apresentação mostra como a realização de auditorias nas zonas de acesso com o uso de listas de verificação especializadas permitiu identificar pontos cegos e gargalos logísticos. A principal solução na etapa inicial foi a separação física dos fluxos de ônibus fretados, veículos particulares de colaboradores e veículos de carga. A criação de estacionamentos exclusivos, a readequação dos esquemas de embarque e desembarque e o zoneamento rigoroso dos portões de acesso permitiram eliminar de imediato uma série de incidentes.
Uma atenção especial na palestra é dada à gestão logística de cargas sobredimensionadas e pesadas. A abordagem em que o próprio motorista definia a rota pela instalação foi abolida. Foi implementado um sistema rigoroso de aprovação de rotas com os setores responsáveis, organizado o acompanhamento obrigatório de veículos especiais e introduzido um padrão estrito de verificação de amarração de cargas.
A gestão proativa de riscos é impossível sem a coleta contínua de dados objetivos. A implementação de novos requisitos de segurança é apoiada por um sistema de verificações em múltiplos níveis, desde a etapa de aquisição de novos equipamentos até a contratação de empresas de transporte.
Rustam Azizov apresenta exemplos práticos da aplicação de listas de verificação para a liberação de veículos e equipamentos para operação. Essa prática se aplica tanto ao transporte alugado quanto às empilhadeiras internas das instalações. Um detalhe importante é que a responsabilidade pela veracidade da inspeção recai tanto sobre o motorista quanto sobre o gestor operacional, o que eleva o nível geral de disciplina.
Para o monitoramento contínuo do comportamento durante a operação, são amplamente utilizadas a telemetria e sistemas inteligentes de videomonitoramento. A instalação de câmeras de IA nas cabines de veículos corporativos e equipamentos especiais permitiu automatizar o registro de infrações críticas: cinto de segurança não afivelado, uso de telefone celular, fumo ou sinais de fadiga e sonolência. A aplicação de sistemas de visão computacional apresentou resultados expressivos — a quantidade de infrações perigosas (distração da atenção, microsonos) reduziu em 90%.
Quaisquer regulamentos técnicos e barreiras físicas só funcionam de maneira eficaz quando há uma mudança na atitude dos próprios trabalhadores em relação à segurança. A base para a formação dessa nova cultura foi a implementação do curso de direção defensiva. A realização do curso deixou de ser uma recomendação e passou a ser um requisito obrigatório: sem a conclusão bem-sucedida do treinamento, o colaborador ou representante da empresa contratada não pode obter a credencial de acesso às instalações da empresa.
Para eliminar o fator humano na etapa de liberação diária para o trabalho, foram implementados sistemas automatizados de exames médicos pré-jornada. O uso de terminais elimina a possibilidade de decisões subjetivas dos profissionais de saúde, minimizando os riscos de liberar motoristas com mal-estar ou saúde comprometida. Da mesma forma, o processo de integração inicial foi digitalizado: os trabalhadores realizam as instruções por meio de terminais interativos, o que economiza tempo e garante 100% de abrangência.
Para engajar os motoristas, são utilizados formatos de comunicação direta — reuniões semanais das equipes de frota sem a presença da alta gestão, nas quais são debatidas abertamente as causas raízes das infrações. Um instrumento adicional de motivação foi a realização de campeonatos de excelência profissional, reunindo motoristas do quadro próprio, entusiastas e funcionários de empresas contratadas.
A consolidação dos resultados exige um controle sistêmico por parte dos gestores. A empresa desenvolveu um sistema de KPIs de monitoramento em segurança viária para os gestores de unidades. Esse sistema inclui indicadores como a taxa de acidentes, a porcentagem de funcionários treinados em direção defensiva e a dinâmica de infrações registradas por sistemas via satélite e câmeras. Isso impulsiona a gestão operacional a não apenas aprovar auditorias no papel, mas a atuar diretamente com os infratores em campo.
Por fim, são abordadas direções promissoras: projetos de demarcação cromática de áreas de operação de empilhadeiras e a implementação de sistemas autônomos de sinalização luminosa. Este último sistema permite redirecionar ônibus fretados para áreas de abrigo seguras ainda na aproximação da empresa em situações de emergência, evitando a aglomeração de pessoas nas portarias.
Explore a biblioteca completa de melhores práticas de segurança industrial
Ir para a biblioteca