Queria encontrar uma boa apresentação sobre segurança do trabalho na internet e fiquei decepcionada. As apresentações de HSE disponíveis publicamente são visualmente repulsivas e eliminam qualquer chance de se apaixonar pelo tema. Informações textuais densas, sobrecarregadas com imagens de banco de dados no estilo "bonecos palito". Uma apresentação assim mostra como quem a utiliza encara a segurança do trabalho.
Principais erros:
👎 Falta de compreensão do público-alvo, para quem a informação da apresentação se destina. Isso resulta em uma total incompatibilidade entre o visual e os textos escolhidos.
Veja por si mesmo, a mesma recomendação sobre exames médicos soará diferente para públicos distintos:
Para os trabalhadores — verifique seu estado físico no exame médico anual; se sentir algum mal-estar antes de iniciar o trabalho ou durante a execução, informe imediatamente ao seu superior (líder, mestre).
Para os gestores — informe-se sobre o estado físico e o bem-estar dos trabalhadores antes do início das atividades. É proibido permitir que um trabalhador realize tarefas de alto risco se houver contraindicações ou mal-estar. Isso pode resultar em acidentes.
👎 Falta de estrutura e de uma linha de storytelling — para onde o palestrante está conduzindo o ouvinte e por quais etapas.
Muitos palestrantes (instrutores ou especialistas em HSE) seguem o caminho de despejar terminologia nos ouvintes. Por isso, os slides ficam sobrecarregados de texto que não ajuda em nada a proteger as pessoas de acidentes ou doenças ocupacionais. Ações ou fatos formulados nos títulos dos slides direcionam a atenção para pontos específicos de valor prático. É assim que se define a linha da história (storytelling).
👎 Falta de fatos cuidadosamente selecionados que destaquem a problemática. Podem ser números incontestáveis e fotos. Mas, via de regra, isso é raro em apresentações de HSE. Apenas texto, muito texto extraído da legislação trabalhista.
Este é o ponto mais sensível, na minha opinião. Os números só fazem sentido quando estão próximos da realidade de quem assiste à apresentação. Estatísticas globais ou nacionais de acidentes impactam muito menos do que as estatísticas da própria empresa. Para isso, é preciso não ter preguiça de coletar dados e, acima de tudo, definir o formato de coleta e processamento para uso na análise de casos reais.
Aqui é importante buscar treinamento em análise de dados, no mínimo em Excel e, no máximo, tentar criar um dashboard, por exemplo, no DataLens (mas o Excel também serve).
Infelizmente, observo uma grande lacuna na habilidade de trabalhar com dados no Excel. A incapacidade de ver a diferença entre os valores "30" e "30." leva a dados incorretos que não podem ser usados, ou gera trabalho extra para quem cria o relatório analítico, por menor que seja.
Três regras para uma boa apresentação: