Autor: Tatyana Paklinskaya, Occupational Safety Specialist — SC "Edelweiss"
Implementar a IA em HSE não é apenas dar uma tarefa a uma rede neural. É um processo onde primeiro nos tornamos alunos para depois ensinar a máquina. Vou contar como automatizei o desenvolvimento de instruções de HSE.
Por onde comecei: testando a hipótese
Antes de criar um assistente de IA, decidi verificar como as redes neurais lidam com essa tarefa em princípio. Primeiro trabalhei com o Grok - ele aprende muito bem, lembra de tudo e não tem limite de quantidade de texto. Depois tentei trabalhar com o ChatGPT e descobri que ele tem limites no volume de texto gerado, o que faz com que ele comece a encurtar o texto da instrução de HSE por conta própria, algo que eu categoricamente não podia permitir. O GigaChat da Sber, infelizmente, não entendeu o que fazer e gerou resultados instáveis. Já o DeepSeek revelou-se um grande fantasista - é difícil acompanhar onde ele inventou coisas e onde está a verdade.
O segundo problema que enfrentei: as redes neurais não sabem formular descrições detalhadas e específicas que sejam compreensíveis para os funcionários. Elas geram frases gerais, mas não especificam o que exatamente, como exatamente e em que sequência o trabalhador deve agir. Tive que mostrar exemplos, buscando o estilo exato necessário para a redação de instruções de HSE. Quando obtive um resultado que me agradou, salvei-o como um exemplo de instrução de referência.
Partes invariáveis e variáveis da instrução
Quando a rede neural aprendeu a entender a diferença entre uma instrução ruim e uma boa, analisei o que é constante na instrução e o que é a parte variável.
Parte invariável (o que é sempre igual):
- Estrutura. Rigorosamente definida pela Portaria do Ministério do Trabalho nº 772n.
- Estilo. Sempre formal, com formulações detalhadas e inequívocas.
- Referências sistêmicas. Consulta constante ao Regulamento do Sistema de Gestão de HSE da empresa.
Parte variável (o que muda):
- Cargo e o correspondente padrão profissional.
- Lista de riscos profissionais. É ela que determina o conteúdo principal - as ações específicas do funcionário.
Essa divisão tornou-se a chave para a automação.
Algoritmo para criar o assistente: 3 passos principais
Passo 1. Coleta e estruturação da base de conhecimento.
O assistente não deve "fantasiar". Reuni para ele um pacote de documentos nos quais ele deve se basear:
- Portaria do Ministério do Trabalho nº 772n em versão reduzida - não faz sentido colocar todo o texto da portaria na base de conhecimento do assistente, é melhor deixar apenas o que diz respeito especificamente ao desenvolvimento de instruções de HSE. Assim, o assistente trabalhará melhor e de forma mais correta.
- Lista de Regras de HSE relevantes para a empresa com uma breve descrição para melhor orientação da rede neural.
- Regulamento do Sistema de Gestão de HSE da empresa.
- Exemplo de referência de uma instrução de HSE.
Passo 2. Desenvolvimento do prompt (especificação técnica para a IA).
O prompt é o cérebro do assistente. Ele deve ser o mais detalhado possível. Meu prompt (em versão resumida) é assim:
Você é um especialista em HSE.
🔹 Tarefa: desenvolver instruções de HSE para os trabalhadores estritamente de acordo com o modelo ("Modelo_de_Redação_HSE", carregado na base).
🔹 Algoritmo de trabalho:
- Encontre o padrão profissional (ou diretórios de qualificação equivalentes) para o cargo especificado. Se não houver padrão profissional, use os diretórios de qualificação.
- Extraia do padrão profissional as funções laborais gerais, ações laborais típicas, conhecimentos e habilidades.
- Com base neles, forme as responsabilidades, fatores de produção nocivos e perigosos, e riscos profissionais.
- Compare os riscos com a "Lista de documentos normativos" e inclua apenas as Regras de HSE que são realmente aplicáveis à profissão.
- Reescreva o texto da instrução em seções (I – V) copiando o "Modelo_de_Redação_HSE", mantendo o estilo, a estrutura e a numeração contínua.
- Na seção I, indique sempre: o padrão profissional, a Portaria do Ministério do Trabalho nº 772n e os atos locais do empregador ("Regulamento do Sistema de Gestão de HSE" e "Política de HSE").
🔹 Formatação:
- Títulos das seções: algarismos romanos (I, II, III, IV, V).
- Pontos principais: numeração arábica contínua (1., 2., 3.… até o final da seção V).
- Subpontos aninhados dentro do ponto principal: X.1., X.2., X.3.… (por exemplo: "4. Lista de fatores de risco", depois "4.1. …", "4.2. …").
- Após concluir a lista aninhada, continue a numeração principal (por exemplo, após 4.10 vem 5.).
- Gere parágrafos e subpontos exatamente de acordo com o modelo.
- Nenhum "*" ou "-" para listas.
🔹 O que não fazer:
- Não faça raciocínios, comentários ou perguntas de esclarecimento.
- Não encurte o texto nem mude o estilo.
- Não adicione novas seções.
- Não ofereça opções ("capataz assim ou assado").
- Não gere a instrução inteira de uma só vez.
🔹 Saída de texto:
- Cada resposta = uma seção completa.
- Mantenha sempre a numeração contínua.
- Gere apenas o texto final da instrução.
- Nenhuma palavra introdutória ("entendido", "excelente", "vou elaborar").
Passo 3. Configuração e lançamento.
Ao combinar todos os componentes no construtor de assistentes (por exemplo, no ChatGPT), obtive um "parceiro digital" funcional. É necessário trabalhar com ele por algum tempo para identificar erros de funcionamento e melhorar o prompt para eliminá-los.