A busca por riscos ambientais é algo bastante interessante. Mas não basta encontrar o risco; é preciso avaliá-lo corretamente. Vou apresentar um exemplo interessante de quando a lógica falhou.
Dados:
Decisão do grupo.
Qual foi a lógica do grupo?
Explosões em massa ocorrem semanalmente. Em cada explosão, há fragmentos de rocha.
A probabilidade de ocorrência do risco é máxima; parece lógico.
Se o depósito de combustível sofrer danos mecânicos, todo o combustível vazará. O dano máximo possível é um desastre ambiental; também parece lógico.
Então, o grupo avaliou o risco corretamente?
Vamos tentar entender.
Na avaliação de riscos, costuma-se correlacionar a probabilidade de um evento com as consequências desse evento específico. O que o grupo fez foi correlacionar a probabilidade de um evento bastante frequente (projeção de fragmentos) com a consequência mais grave de um evento diferente (vazamento total de diesel). Creio que esteja claro para todos que a probabilidade do Evento 1 (projeção de um fragmento de rocha) e do Evento 2 (projeção de um grande fragmento de rocha atingindo o depósito e destruindo-o) são muito diferentes.
Questionado ao grupo: — Qual é a probabilidade do Evento 2 (projeção de um grande fragmento de rocha atingindo o depósito e destruindo-o)?
Hipoteticamente possível, mas a probabilidade é extremamente baixa — respondeu o grupo por unanimidade.
Resolvemos a questão da probabilidade, mas e as consequências?
Aqui também há o que discutir. Frequentemente, ao avaliar riscos, as medidas de proteção existentes são esquecidas. No nosso caso, a bacia de contenção de concreto do depósito foi projetada para conter todo o combustível vazado.
Questionado ao grupo: — Quanto combustível pode vazar para o meio ambiente, considerando as medidas de proteção existentes?
Pode nem vazar nada — respondeu o grupo.
Foi oferecida ao grupo uma escolha: manter a avaliação máxima inicial ou reavaliar o risco. O grupo reavaliou o risco, e ele recebeu uma pontuação menor.
E o que você faria?