Autor: Anton Turtanov, Head of Environmental Protection and Ecology Department — EuroChem
Uma prática global comum para a identificação e avaliação de riscos ambientais é o uso da ferramenta ENVID (Environmental Identification). O ENVID é uma adaptação "ambiental" da ferramenta ainda mais conhecida HAZID (Hazard Identification). Por trás desses nomes intimidantes esconde-se um método bastante simples e acessível: o brainstorming estruturado. O método é realmente simples, mas, como se sabe, a simplicidade tem um preço. Qual é o preço da simplicidade? A eficácia de uma sessão de riscos utilizando o ENVID depende da qualidade do trabalho do grupo de especialistas.
"Isso não é novidade!", você dirá.
No entanto, não estamos falando de uma gradação da eficácia do grupo de "satisfatório" a "excelente".
A realidade é que a avaliação começa em "péssimo".
A preparação clássica diz que é necessário envolver na sessão de riscos:
- Gestores de produção;
- Especialistas ambientais;
- Serviços de desenvolvimento técnico;
- Serviços de manutenção;
- Escritórios de projetos, construtores;
- Representantes de outras disciplinas.
Naturalmente, cada representante deve ser um especialista em sua área, ser aberto e, em geral, ser um funcionário exemplar, ou seja, a pessoa do cartaz motivacional.
É realista reunir tal grupo? Na teoria, sim; na prática, nunca vi. Sempre há um compromisso.
Consideremos a seguinte situação. Está planejada uma sessão de riscos presencial de um dia, com duração de 5 horas. Nossa tarefa é selecionar os especialistas. Vamos tentar avaliar o valor dos seguintes representantes típicos:
- O gestor principal. Sabe tudo sobre tudo, mas, devido à sua agenda, só pode comparecer à sessão para o discurso de abertura.
- O alto executivo. Sabe muito, mas geralmente envia seu vice-diretor financeiro.
- O especialista ocupado. Sabe muito, mas só consegue vir nos intervalos entre reuniões.
- O especialista ocupado. Só consegue se conectar via ZOOM.
- O especialista. Tem medo ou vergonha de expressar sua opinião, geralmente permanecendo em silêncio nas reuniões.
- O especialista. "Não poderei ir, mas me envie os resultados e depois eu escrevo meus pensamentos."
- O departamento ambiental completo, com um gestor que não permite que seus funcionários se manifestem.
Você acha que isso é um exagero?
Não, é a realidade.
Como funciona o trabalho de tal grupo?
- Primeiros 15 minutos: palavras sobre importância e comprometimento.
- Durante a primeira hora, a maioria dos gestores é chamada inesperadamente para assuntos urgentes.
- A videoconferência está conectada, mas não há atividade do outro lado.
- Após o intervalo de almoço, praticamente todos desaparecem, exceto os especialistas ambientais.
- Os especialistas silenciosos continuam trabalhando, mas em silêncio.
- A videoconferência desconecta-se discretamente.
- Nas últimas horas, o presidente da sessão de riscos, junto com o especialista ambiental e alguns funcionários inativos, tentam gerar ideias. Não se pode falar em eficácia nesse tipo de trabalho.
Como reunir um grupo de especialistas capaz de entregar um resultado superior a "satisfatório".
Regras principais:
- O funcionário pode trabalhar presencialmente;
- O funcionário pode participar de toda a sessão de riscos sem distrações significativas;
- O funcionário é aberto e pode expressar livremente sua opinião pessoal;
- Na sessão estão ausentes pessoas capazes de bloquear as opiniões dos outros, ou seja, pessoas que não permitem que opiniões contrárias à posição oficial sejam expressas.
- Funcionários de diferentes departamentos.
- Funcionários de outras empresas parceiras que participaram de eventos semelhantes (se disponíveis).
- Número total de participantes: 6 a 8 pessoas.
- Não busque cargos. Um especialista comum com uma atitude aberta é mais eficaz do que um alto gestor constantemente distraído por reuniões.