Uma das práticas mais subestimadas, porém extremamente eficazes no sistema de saúde ocupacional e segurança industrial, é o estágio de especialistas de HSE nas unidades estruturais.
Como isso é implementado na Bystra?
Os especialistas responsáveis pela coordenação das unidades estruturais em questões de saúde ocupacional, segurança industrial e de transporte passam por um estágio obrigatório diretamente nas oficinas e áreas de produção. A duração do estágio varia de 3 a 7 dias, dependendo da especificidade da unidade, do número de funcionários e da diversidade das operações de produção. Durante o estágio, o especialista de HSE é designado a um mestre e "mergulha" totalmente no processo de trabalho de cada funcionário da área: operador de guindaste, agrimensor de mina ou mecânico; ele não é um observador, mas um membro pleno da equipe. Desde a entrega da ordem de serviço pela manhã até o final do turno à noite, ele trabalha lado a lado com os colegas, realizando as mesmas tarefas e enfrentando as mesmas condições de trabalho e problemas.
O estágio do especialista de HSE não é uma visita "para controle", mas sim uma imersão no trabalho real da oficina, da brigada ou da instalação, pois sem entender a situação "por dentro", as medidas e práticas de HSE implementadas correm o risco de se tornarem desconectadas da realidade e meramente formais.
Além disso, o estágio do especialista de HSE na produção é um investimento no desenvolvimento de uma cultura de confiança e abertura entre a função de HSE e o pessoal da produção. É precisamente a confiança e a abertura que constituem a base sem a qual todos os procedimentos e regras ficam suspensos no ar.
Por que isso é importante?
Muitas vezes existe uma barreira invisível entre o pessoal de produção e os especialistas de HSE. Trabalhadores e gestores frequentemente percebem os especialistas de HSE como "punitores" que não entendem nada do trabalho real.
O estágio quebra esse estereótipo. Quando o especialista de HSE trabalha na oficina e vê todas as dificuldades por dentro, ele deixa de ser o "cara de fora com capacete branco". Ele se torna um deles.
O especialista de HSE, estando no centro dos acontecimentos, vê o que significa trabalhar "no prazo", sob a pressão do plano, e como os requisitos de segurança se encaixam no processo de produção geral e onde surgem os "gargalos". Posteriormente, ao investigar uma violação, ele poderá entender o contexto ("o trabalhador violou os requisitos de isolamento de fontes de energia porque o reparo leva 4 horas de acordo com a instrução, mas o chefe deu apenas 2"). Isso permitirá buscar uma solução sistêmica para o problema a fim de eliminar a causa raiz (por exemplo, revisar o procedimento de permissão ou o esquema de conexão do equipamento), em vez de culpar a pessoa.
Se os trabalhadores veem que o especialista de HSE está tentando sinceramente entender o processo para torná-lo mais seguro e eficiente, em vez de caçar infratores, isso quebra os preconceitos.
Um elemento-chave para construir confiança é a prontidão para mostrar que você não é um sabe-tudo.
O especialista de HSE está, por definição, na posição de aprendiz. Ele faz perguntas, admite que não sabe algo e aprende com trabalhadores experientes. Essa vulnerabilidade é poderosamente cativante.
Os trabalhadores tornam-se professores. Isso muda a dinâmica do poder. Eles sentem sua expertise e importância; seus conhecimentos são valorizados. Em resposta, eles começam a confiar mais no especialista de HSE.
A confiança nasce quando as pessoas acreditam que podem dizer a verdade sem consequências e ser ouvidas.
Durante o estágio, em uma conversa informal durante um café ou no intervalo, os trabalhadores estão muito mais dispostos a compartilhar suas preocupações reais, reclamações sobre ferramentas desconfortáveis ou regras absurdas do que com uma autoridade oficial do departamento de segurança.
A coleta de informações "não filtradas" sobre o que realmente acontece na produção, quais regras são violadas e por quê (a questão principal!) são dados inestimáveis para melhorar o sistema.
Certamente, a garantia da abertura futura é a reação do especialista de HSE aos sinais recebidos (por exemplo, simplificar um procedimento ou mudar uma regra impraticável, ajudar com EPIs); ele prova que é digno de confiança. Os trabalhadores veem que suas palavras não foram em vão, mas levaram a mudanças reais. Este é o principal incentivo para relatar riscos no futuro.
Após o estágio, o especialista de HSE mantém muitos conhecidos e contatos informais nas oficinas.
No futuro, será possível contatá-los diretamente: "Vasily Ivanovich, lembra quando trabalhamos naquela máquina? Estou com um problema aqui, o que você sugere...". Isso resolve questões muito mais rápido do que solicitações oficiais.
Os novos conhecidos tornam-se "agentes de influência" e disseminadores de ideias de segurança em suas equipes. Eles podem dizer aos colegas: "Eu o conheço, ele é sensato, ele vai resolver".
Um especialista de HSE que passou por um bom estágio poderá, posteriormente, organizar treinamentos de melhor qualidade e orientados à prática para outros funcionários, pois entenderá os riscos reais, e não apenas os de livro.
Além disso, ao estudar os processos na prática, o especialista de HSE poderá identificar inconsistências ou a obsolescência das instruções e regras existentes. Ele se torna o motor para sua atualização.
Dessa forma, o especialista de HSE que compreende profundamente os processos torna-se o motor da melhoria contínua das condições de trabalho. Ele pode iniciar mudanças em equipamentos, ferramentas e na organização dos postos de trabalho, o que é a expressão máxima de uma cultura de segurança madura.
O estágio de um especialista de HSE pode ter consequências negativas?
Com certeza! Se o especialista de HSE:
- trair a confiança, quando informações sobre violações e "atalhos" obtidas em um ambiente informal são usadas para punição, isso destruirá para sempre a confiança não apenas nele, mas em todo o departamento de HSE;
- tratar o estágio de forma protocolar, apenas para "marcar presença", passando o tempo de lado sem interagir com a equipe, o efeito será o oposto – os trabalhadores verão apenas mais um "burocrata indiferente".
Um estágio de qualidade cria propositalmente:
Conclusão
O estágio na produção não é perda de tempo, mas um investimento na cultura de segurança. Ele apaga fronteiras, constrói pontes e transforma o especialista de HSE de um inspetor em um consultor e parceiro de confiança, tanto para a equipe de produção quanto para o funcionário individual.
Experimente. Passe uma semana na oficina. Apenas trabalhe. E você se surpreenderá com o quanto não sabia sobre o que parecia "óbvio".