Uma visão honesta sobre a jornada de um especialista em HSE.
Provavelmente, todo especialista em HSE já se deparou com este pensamento: "Por que os funcionários recebem todas as regras com tanta hostilidade?".
Sempre observei três tipos de reações, e cada uma exige uma abordagem diferente.
Este é o público mais difícil. Não dá para convencê-los com citações da legislação trabalhista. A autoridade deles é a experiência pessoal. E se durante 20 anos "tiveram sorte", então as regras são uma bobagem.
Minha tática: Parei de tentar convencê-los. Agora, eu mostro. Busco acidentes nos arquivos e mostro as causas. Sempre faço a pergunta: "Vejam, este trabalhador também tinha 20 anos de experiência. Vocês acham que ele também pensou que teria sorte?". O silêncio é a melhor resposta. Aprendo a falar com eles na linguagem dos fatos.
O mundo deles é uma cadeira e um monitor. O seu principal risco é um corte com papel. Realizar um treinamento de HSE para eles é sempre um grande desafio.
Minha tática: Mudei a abordagem. Nos treinamentos para o escritório, falo sobre o que realmente os preocupa: "Querem preservar a visão aos 40 anos? Vamos ajustar o monitor". "Costas cansadas? Não é da idade, mas da forma como vocês se sentam. Aqui estão 3 regras". Transformo o HSE de um conceito abstrato em um assistente pessoal para preservar a saúde deles.
Não há muitos funcionários assim, mas o seu número está crescendo. São aqueles que não têm medo de dizer: "Não vou começar o trabalho até que a segurança seja garantida". Eles são o meu principal canal de comunicação com a realidade. Eu os apoio de todas as formas, elogio-os perante a direção e os uso como exemplo. A iniciativa deles vale muito.
Minha principal conclusão como especialista em HSE:
O problema não está nos funcionários. O problema é que nós, especialistas em HSE, muitas vezes vivemos no mundo das instruções, enquanto eles vivem no mundo das tarefas reais e dos KPIs. O meu trabalho hoje não é o controle, mas a integração do HSE no trabalho de produção.
É preciso:
Falar a língua deles. Ser um deles no campo. Vou regularmente à área de produção, não para fazer inspeções, mas com uma pergunta: "Pessoal, o que impede vocês de trabalharem com segurança?".
O HSE deixa de ser uma "espada punitiva" quando se torna parte da cultura de trabalho. E a minha tarefa não é fazer com que tenham medo das regras, mas ajudar cada um a entender: estas regras não foram escritas por mim. Elas foram escritas com sangue. E a minha missão é garantir que nenhuma nova linha apareça nesta triste história.