Historicamente, o desenvolvimento da segurança industrial seguiu o caminho do aprimoramento de equipamentos e procedimentos. No entanto, como mostram as estatísticas globais, a proporção de erros humanos em incidentes cresce constantemente. Em sua apresentação, Vadim Demchenko, consultor organizacional de cultura de segurança, examina detalhadamente por que a abordagem tradicional, baseada em punições e na busca por culpados, esgotou-se. O palestrante analisa como a transição para uma cultura de tratamento justo e o princípio da não punição torna-se uma etapa natural na evolução dos sistemas de gestão de HSE.
Uma das teses principais da apresentação é o abandono do termo «cultura de segurança industrial». O palestrante enfatiza que a cultura de segurança não pode se limitar ao horário de trabalho. O comprometimento com a segurança é um hábito formado de agir com segurança e avaliar riscos constantemente, seja na produção ou na vida cotidiana. É por isso que é importante envolver os funcionários no processo de melhoria contínua da segurança ao seu redor, começando com passos simples, como os minutos regulares de segurança.
Com base em dados das indústrias nuclear e de aviação, o palestrante mostra, por meio de exemplos, que a grande maioria dos eventos indesejados (até 80%) é causada por ações incorretas dos funcionários. No entanto, se formos mais a fundo, cerca de 70% desses erros são provocados por falhas organizacionais latentes: organização inadequada do local de trabalho, tarefas pouco claras ou qualificação insuficiente. A punição nesses casos não resolve o problema, apenas o esconde, gerando desconfiança no sistema.
Para uma gestão de riscos eficaz, é fundamental receber informações sobre eventos de baixo nível e precursores de incidentes. A apresentação examina detalhadamente o mecanismo de criação de uma cultura de relatórios. A principal condição para o seu funcionamento é a recusa de medidas punitivas por erros não intencionais. Quando os funcionários sabem que não serão punidos por relatar um problema ou seu próprio erro, eles começam a participar ativamente na identificação e eliminação de falhas organizacionais.
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