A sinalização de áreas de risco é um elemento crucial do sistema de segurança industrial em uma empresa. Este artigo demonstra como preparar e implementar com sucesso um projeto de sinalização na produção, bem como comunicar sua importância à gestão e a todos os colaboradores, utilizando o exemplo do departamento de HSE da filial de Moscou da JSC "NPO "Poisk".
A Sinalização de Áreas de Risco (SAR) é uma forma de influenciar a consciência do trabalhador, modelando seu comportamento na direção desejada. A visualização de zonas industriais perigosas serve como um dos elementos da gestão de riscos ocupacionais. Naturalmente, vale ressaltar que esta medida só é eficaz quando aplicada em conjunto com ferramentas como treinamento em HSE, instruções de segurança, entre outros.
A SAR ajuda a resolver uma série de tarefas no campo da segurança e HSE:
A sinalização de áreas de risco é amplamente utilizada em diversos setores industriais, incluindo a indústria pesada (metalurgia, mineração, engenharia mecânica), energia elétrica, indústria de aviação, produção de bens de consumo, agroindústria, indústria química, farmacêutica, logística, entre outros.
Com o objetivo de identificar o interesse de representantes de diversos setores no uso da sinalização de áreas de risco, realizamos uma pesquisa. Pedimos aos colegas que respondessem se a sinalização de áreas de risco (marcação de segurança) é aplicada na empresa onde trabalham.
Os resultados da pesquisa mostraram que apenas em um número muito pequeno de empresas esta ferramenta é aplicada de forma abrangente, utilizando o máximo de elementos de SAR. Além disso, alguns respondentes afirmaram que não aplicam a SAR em sua prática. O tipo mais popular de sinalização são as placas de segurança.
Fig. Resultados da pesquisa
Como mostra a experiência, ao implementar um projeto de sinalização de áreas de risco, a maioria dos especialistas enfrenta os mesmos problemas. Destacamos os principais:
Para resolver adequadamente os problemas que surgem e antecipar as dúvidas da gestão, recomenda-se organizar o trabalho no projeto seguindo um algoritmo específico: primeiro definir o que sinalizar, depois como sinalizar, desenvolver plantas dos ambientes e do território, preparar a visualização "antes"/"depois" e planejar como comunicar ao pessoal a necessidade de cumprir as regras.
Vamos analisar detalhadamente o algoritmo descrito com o exemplo de como ele foi implementado na NPO "Poisk".
Talvez, na execução do projeto, a questão de como sinalizar seja a principal; ela define as ações e etapas futuras, bem como a motivação para realizar o projeto. Esta questão deve ser abordada de forma abrangente, por isso dividiremos nossas ações em seis etapas convencionais.
Passo 1 – Questionário.
É necessário realizar uma pesquisa com os trabalhadores através de um questionário pré-elaborado, para descobrir onde, na visão deles, estão as áreas de risco e como as medidas de segurança poderiam ser melhoradas em seu raio. Isso permitirá obter cerca de 20% das informações necessárias.
Passo 2 – Estudo das instruções de trabalho para equipamentos e materiais.
Isso permite obter mais cerca de 30% das informações.
Passo 3 – Criação de grupos de trabalho.
É necessário incluir representantes de diversos departamentos da empresa nos grupos de trabalho para que, com sua participação, as características dos equipamentos e os tipos de perigo (mecanismos móveis, possibilidade de impacto, queimadura, etc.), as áreas analisadas, as características das instalações de produção, as condições de trabalho (fatores nocivos e perigosos reais e possíveis) e os riscos característicos sejam descritos com o máximo de detalhes.
Passo 4 – Análise de documentos.
É necessário consultar os resultados de avaliações de riscos ocupacionais realizadas anteriormente, elaboradas de acordo com o registro de perigos e o plano de ação.
Passo 5 – Análise de ocorrências.
Ao analisar acidentes, incidentes e infrações ocorridos em um longo período, deve-se prestar atenção especial aos eventos que ocorreram devido à presença de trabalhadores em áreas proibidas, bem como ao descumprimento das ações prescritas pelas instruções.
Passo 6 – Auditoria.
Durante a auditoria, é necessário identificar áreas de armazenamento de produtos, movimentação de veículos e trabalhadores, localização de ferramentas de trabalho, equipamentos de combate a incêndio e equipamentos que exigem o uso de EPIs.
Todos os dados coletados são incluídos em uma nota explicativa, que deve conter:
Antes de passar para a parte gráfica do projeto, é muito importante definir como sinalizar as áreas de risco. Para evitar divergências e contradições em diferentes unidades de produção, é necessário introduzir um aparato conceitual unificado — um padrão que estabeleça a aparência da sinalização.
Para definir a aparência da marcação, dos elementos de SAR e das cores de sinalização, são utilizadas as designações estabelecidas na norma GOST 12.4.026-2015 "Norma Interestadual. Sistema de padrões de segurança no trabalho. Cores de sinalização, sinais de segurança e marcação de sinalização. Finalidade e regras de aplicação. Requisitos técnicos gerais e características. Métodos de ensaio" (Tabela).
Tabela. Elementos de sinalização de áreas industriais de risco
Recomenda-se posicionar os sinais de segurança de forma que estejam sempre no campo de visão das pessoas a quem se destinam. Ao mesmo tempo, os sinais não devem distrair a atenção durante a execução do trabalho.
Para passagens estreitas, colunas e estruturas salientes, utiliza-se a sinalização vertical. São utilizados materiais retrorrefletivos e fotoluminescentes, além de materiais com cores contrastantes. Para a sinalização do piso de instalações de produção e armazéns, aplica-se a marcação de sinalização horizontal, o que permite separar os fluxos de veículos e pessoas, além de armazenar materiais de forma conveniente e segura. A marcação horizontal pode alertar sobre perigos a serem evitados, bem como indicar a rota de evacuação em caso de emergência.
No geral, a colocação de elementos de SAR é a forma mais simples e eficaz de alertar sobre perigos, proibir ações errôneas ou indicar a necessidade de ações corretas.
A escolha dos materiais e métodos de montagem também deve ser justificada. Para isso, devem ser considerados os seguintes critérios:
Após definirmos exatamente o que deve ser sinalizado e estabelecermos os tipos de sinalização, passamos para a parte gráfica do projeto.
Na parte gráfica do projeto, é exibido o seguinte:
A figura mostra um exemplo de esquema das instalações de produção, realizado em formato 2D.
Fig. Esquema das instalações de produção
No projeto de sinalização, podem ser representadas não apenas as áreas de produção, mas o território da empresa como um todo. Além da designação tradicional de instalações de produção, áreas de fumantes, estacionamentos, instalações administrativas e esquemas de tráfego, devem ser indicados os locais onde o uso de equipamentos de proteção individual é obrigatório. Estes sinais também serão colocados nas portas antes da entrada na área de risco. Um exemplo de esquema da empresa considerando o projeto de sinalização é mostrado na figura abaixo.
Após a conclusão da preparação do projeto considerando todos os aspectos listados, surge outra questão importante: como obter o apoio da gestão?
Uma apresentação convincente e visual do projeto pode ajudar a resolver esta questão. Para obter clareza visual, inclua fotos de antes e depois da aplicação da sinalização. As imagens devem apresentar claramente as vantagens da implementação do projeto, refletindo tanto a nova organização do espaço quanto a segurança dos trabalhadores em diversos galpões e departamentos da empresa.
Na apresentação, é necessário formular claramente as vantagens da execução do projeto, incluindo a possibilidade de implementação em etapas, a visualização de áreas perigosas, a padronização (unificação das designações), a contribuição significativa para o sistema de gestão de riscos, bem como a mudança na atitude dos trabalhadores em relação às questões de segurança.
Fig. Exemplo de apresentação.
Antes da implementação do projeto, é necessário planejar como as informações sobre a sinalização de áreas de risco serão comunicadas aos funcionários. É preciso formar nos trabalhadores o hábito de ações corretas em relação às áreas de risco. Aqui, tanto uma abordagem tradicional quanto uma menos formal são possíveis.
O treinamento, a realização de workshops sobre sinalização e a colocação de painéis com elementos de SAR em locais visíveis, equipados com um sistema de códigos QR, produzem um bom efeito. Isso permite o acesso às regras de segurança via smartphone a qualquer momento.
Outra solução inovadora nesse sentido é a gamificação — a realização de jogos especiais para memorizar a localização das sinalizações e as regras de comportamento seguro em áreas de risco.
Durante o processo de implementação, o projeto pode ser aprimorado. O contato direto com os trabalhadores e suas observações sobre a sinalização de áreas de risco trazem uma ajuda inestimável. Não se deve esquecer também que, com o tempo, a marcação fica suja e desgastada, por isso deve ser renovada oportunamente.