Autor: Mikhail Zhiganov, Director of Safety Culture Development Department — Nornickel
Hoje falaremos sobre psicologia e nossas falhas.
Do ponto de vista psicológico, os principais obstáculos são o ego e a identidade profissional, onde admitir um erro é percebido como uma ameaça à competência, especialmente entre especialistas (médicos, pilotos, engenheiros).
O problema da média gerência na implementação de mudanças é uma das principais dificuldades na gestão de transformações organizacionais. A questão é que os gerentes de nível médio (chefes de departamento, filiais, áreas) frequentemente se tornam um «gargalo» ou até mesmo um obstáculo para a implementação bem-sucedida de mudanças, apesar de que, formalmente, deveriam ser os promotores dessas mudanças.
Nossas falhas:
1. «Falta de eficácia comprovada»
- Muitas vezes, não conseguimos demonstrar quantitativa ou qualitativamente que nossas iniciativas (integrações, inspeções, treinamentos, EPIs, procedimentos) realmente reduzem os acidentes, melhoram a cultura de segurança ou economizam dinheiro.
- As métricas, quando existem, são formais («realizamos 100% das integrações»), e não baseadas em resultados («reduzimos o número de incidentes em 30%»).
- Falta feedback do negócio: não está claro como as medidas de HSE afetam a produtividade, o moral e o tempo de inatividade.
- Sem uma base de evidências, o HSE é percebido como um «órgão burocrático de controle», e não como um parceiro de melhoria.
Consequência: a liderança não vê valor — não aloca recursos, não apoia as iniciativas.
2. «Não entendemos totalmente o que os gestores realmente fazem e se há demanda para a nossa proposta»
Frequentemente trabalhamos no vácuo, sem saber:
- quais são as metas operacionais dos gestores de produção (reduzir o tempo de inatividade? aumentar a produção? reduzir a equipe?);
- quais são as suas verdadeiras dores: falta de tempo? pressão por KPIs? escassez de mão de obra qualificada?
- o que é mais prioritário para eles: a segurança ou o cumprimento da meta?
Como resultado, as propostas de HSE não resolvem os problemas reais dos gestores. Por exemplo:
- exigimos «realizar um treinamento de evacuação de 4 horas» quando o chefe do setor está lidando com uma emergência e paralisações na linha;
- implementamos um sistema complexo de relatórios de incidentes, embora para o gestor seja mais importante eliminar rapidamente a causa do que preencher formulários.
Consequência: o HSE «fala outro idioma», e suas propostas são ignoradas como «inoportunas».
3. «Aos olhos da produção, não somos uma autoridade»
- Os funcionários e gestores não veem os profissionais de HSE como especialistas que entendem as condições reais de trabalho.
- Muitas vezes, o HSE é percebido como um «inspetor» que aparece apenas com auditorias e advertências, e não com apoio.
- Não há confiança: «Eles ficam no escritório, e nós na linha de produção; eles não entendem como é o trabalho real aqui».
- Se o profissional de HSE não tem experiência em produção, seus conselhos parecem desconectados da realidade.
Consequência: as recomendações não são seguidas, mesmo que sejam sensatas. Sem autoridade, não há influência.
4. «O líder deles não apoia as iniciativas»
- O chefe da fábrica, do setor ou da produção é o líder principal da equipe. Se ele ignorar pública ou silenciosamente as iniciativas de HSE, toda a equipe seguirá o seu exemplo.
- Ele pode dizer: «Isso não é prioridade», «Temos coisas mais importantes agora», «Isso é uma formalidade».
- Mesmo que a alta gestão apoie as mudanças em HSE, sem o engajamento do líder local, elas «morrerão» no nível de execução.
Consequência: as iniciativas de HSE não ganham escala e não se consolidam na prática diária.
5. «Experiência negativa de interação conosco»
- Procedimentos de HSE implementados anteriormente (diários, instruções, checklists) não funcionam na realidade, mas são mantidos formalmente. Quantas práticas já se tornaram apenas papel?
- As pessoas simulam a atividade: assinam, mas não leem; preenchem, mas não utilizam.
- Isso cria cinismo e fadiga em relação à «segurança de papel».
- Uma nova proposta de HSE é imediatamente percebida como «só mais um papel».
Consequência: perda de confiança em quaisquer iniciativas, mesmo que sejam úteis e práticas.
6. «Falta de compreensão sobre como implementar mudanças»
Os profissionais de HSE frequentemente:
- pulam as etapas de preparação: não criam um senso de urgência (Kotter), não «descongelam» velhos hábitos (Lewin);
- impõem soluções de cima para baixo, sem envolver as equipes;
- não consideram a transição emocional (Bridges): as pessoas não estão prontas para «abrir mão» do antigo;
- não utilizam uma abordagem iterativa (Lean Change): implementam tudo de uma vez, sem feedback;
- não planejam a consolidação das mudanças: após o projeto piloto, esquecem, não há reforço (ADKAR).
Como resultado, as mudanças são percebidas como impostas, geram resistência e são rapidamente abandonadas.
Consequência: até mesmo boas ideias fracassam devido a um processo de implementação incorreto.