O desenvolvimento de uma cultura de segurança na produção não é apenas a implementação de novas regras, mas uma profunda transformação da atitude dos funcionários em relação à sua própria proteção. Durante o webinar, especialistas da Heineken compartilham experiências práticas na mudança de padrões comportamentais e na implementação de um sistema multinível de avaliação de riscos. Os palestrantes examinam detalhadamente como a transição da conformidade formal com os requisitos para a escolha consciente de comportamentos seguros permite reduzir significativamente a taxa de lesões.
Sergey Korovin, gerente de HSE da fábrica de Patra, detalha a aplicação dos oito passos de John Kotter para transformar a cultura de segurança. O ponto de partida foram dois acidentes e estatísticas que mostraram que 80% dos funcionários ignoravam as regras básicas, apesar da presença de sinalização visual e treinamentos. Isso criou o necessário «senso de urgência».
Uma etapa fundamental foi a formação de uma equipe de mudança composta por funcionários de base, excluindo gestores, para garantir a máxima transparência. A equipe formulou o resultado final ideal (RFI): «a própria pessoa quer e se comporta de forma segura». Durante inúmeras sessões de gemba (idas a campo), esse RFI foi discutido com trabalhadores e contratados, o que permitiu coletar feedback real e envolver o pessoal no processo de mudança.
O palestrante dá atenção especial ao trabalho com líderes informais — a «oposição». A discussão do plano de ação proposto com funcionários críticos levou à eliminação de metade das iniciativas. No entanto, os 50% restantes receberam total apoio da oposição, que então transmitiu essas ideias às massas, garantindo sua implementação bem-sucedida.
Entre as iniciativas implementadas estão: substituição de treinamentos formais por formato de vídeo com a participação dos próprios trabalhadores, instalação de corrimãos adicionais e realização do «Dia da Segurança com a Família». Este último evento incluiu checkpoints práticos (primeiros socorros, combate a incêndios, simulação de perda de sentidos e uso de óculos VR para demonstrar os riscos do trabalho em altura), o que ajudou os funcionários e suas famílias a perceber a importância de seguir as regras não apenas no trabalho, mas também na vida cotidiana.
Anna Voronkova, gerente de HSE do escritório central da Heineken, apresenta um sistema de avaliação de riscos que abrange cinco níveis de gestão. Em nível global, a análise de incidentes dos últimos 3-5 anos identificou três áreas prioritárias: segurança de contratados, segurança viária e liderança dos gestores em questões de HSE.
No nível do grupo de fábricas, o brainstorming é usado para identificar processos de risco (por exemplo, segurança de empilhadeiras), após o qual o método Bow-Tie (gravata borboleta) é usado para analisar barreiras e desenvolver medidas corretivas. No nível de uma fábrica individual, é criado um mapa de riscos de alto nível (High Level Risk Assessment), que determina os departamentos prioritários para um estudo detalhado.
Em cada área de trabalho, é realizada uma avaliação detalhada de riscos usando o método de Fine e Kinney, que leva em consideração a gravidade, frequência e probabilidade de ocorrência de um evento. Isso permite classificar os riscos e focar nos mais críticos (com nível acima de 200).
A palestrante enfatiza a importância do registro de todos os desvios (incidentes, condições perigosas, microlesões) pelos próprios trabalhadores por meio de dispositivos móveis. A regra principal da empresa é reagir e reduzir o risco em 24 horas. Essa abordagem garante transparência, envolve o pessoal e permite gerenciar prontamente a segurança no local.
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