Em processos de produção contínua, como a metalurgia, qualquer parada não planejada causa uma interrupção em toda a cadeia tecnológica. Historicamente, o cumprimento do plano de produção muitas vezes foi colocado acima dos riscos potenciais. No entanto, grandes incidentes mudam radicalmente essa abordagem. Durante sua apresentação, Alexander Lazutkin, Diretor de HSE da Usina Eletrometalúrgica de Oskol (parte da empresa Metalloinvest), analisa um caso ilustrativo: um acidente em um forno elétrico de fusão de aço, que resultou na paralisação da linha por um mês e perdas superiores a um bilhão de rublos.
Este incidente tornou-se um catalisador para a revisão da atitude em relação à segurança preventiva por parte da alta administração. O palestrante enfatiza que a segurança e a produção são dois pilares de igual valor para a eficiência dos negócios. Ignorar condições inseguras leva inevitavelmente a acidentes, que exigem o envolvimento emergencial de empreiteiros, a busca por orçamentos não planejados e uma longa recuperação dos processos. Hoje, a empresa construiu um sistema de gestão de riscos em larga escala: mais de 28.000 riscos foram identificados, incluindo 180 fatais, o que permite interromper ações perigosas antes que levem a uma catástrofe.
Um elemento-chave da nova cultura de segurança foi a introdução do direito do pessoal de linha de interromper trabalhos inseguros. Os trabalhadores gerenciam os processos diariamente e são os primeiros a notar desvios críticos. O objetivo da ferramenta é tornar os funcionários os principais ajudantes na prevenção de incidentes, superando o medo da liderança.
A implementação foi acompanhada por séria resistência e desconfiança por parte do bloco de produção. A principal preocupação dos engenheiros-chefes e gerentes de oficina era a possibilidade de paralisações em massa e injustificadas, que poderiam prejudicar o cumprimento do plano. Para superar essa barreira, a empresa introduziu um mecanismo transparente para registrar recusas por meio de um aplicativo móvel e, em áreas sem internet, por meio de formulários em papel nos locais de trabalho. Cada paralisação é analisada detalhadamente nas reuniões operacionais matinais com a participação do engenheiro-chefe para encontrar as causas raízes, e não para procurar culpados.
Um fator de sucesso criticamente importante foi a posição firme da alta administração. O diretor administrativo atuou como garantidor absoluto da imunidade dos trabalhadores que exerceram o direito de paralisação. Em vez de sanções, esses funcionários recebem incentivos, suas ações são destacadas na mídia interna e dadas como exemplo, o que destrói gradualmente a desconfiança na equipe.
O palestrante examina detalhadamente a mecânica das ações após o registro de uma recusa. Em condições de produção contínua (por exemplo, quando há 150 toneladas de metal fundido no forno), a parada instantânea do equipamento nem sempre é tecnologicamente possível. Nesses casos, medidas compensatórias são desenvolvidas prontamente: são criadas barreiras que permitem concluir o ciclo com segurança ou transferir o processo para o controle reforçado do supervisor até a eliminação completa do risco vermelho identificado.
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