O objetivo de utilizar práticas ativas durante o treinamento é levar o trabalhador do estado "Não quero, não preciso disso" para o estado "Gosto do processo por si só!"
Os psicólogos americanos Edward Deci e Richard Ryan concluíram que não existe uma fronteira rígida entre a motivação intrínseca e a extrínseca, e que transições são possíveis. Eles propuseram a ideia de que a motivação representa um continuum, dentro do qual pode ser observada uma certa evolução da amotivação até a motivação intrínseca, passando por diferentes estágios de motivação extrínseca.
O primeiro estágio — Amotivação — é o estado em que a pessoa não tem desejo de agir. As causas para isso podem ser a falta de sentido na atividade, a incompetência nela ou a descrença de que o esforço levará a um resultado.
O estágio mais primitivo da motivação extrínseca pode ser chamado de regulação externa, quando se tenta regular o comportamento através de recompensas e punições; nesse caso, o comportamento é controlado pelo ambiente externo e por outras pessoas.
Regulação introjetada — quando a motivação extrínseca recebe parcialmente uma justificativa interna ("não quero, mas é necessário"). As ações são realizadas para evitar sentimentos de culpa, vergonha, ansiedade ou, por exemplo, para sentir orgulho, manter ou melhorar a autoestima.
Autorregulação identificada — quando a motivação extrínseca é percebida como externa, mas é identificada com impulsos internos importantes. O trabalhador sente a atividade como uma escolha própria, começa a valorizar a atividade que antes realizava sob controle externo e a considerar correto o comportamento que antes era controlado de fora. Por exemplo, um trabalhador foi envolvido uma vez na revisão e aprovação de uma instrução de HSE; durante essa atividade, as sugestões do trabalhador foram aceitas na próxima edição da instrução. A partir daí, o próprio trabalhador deseja participar da revisão das instruções de HSE e essa atividade torna-se um valor por si só. Quanto mais próxima a pessoa estiver do estágio de identificação, maior será o interesse e a satisfação que ela sentirá pela atividade, buscando alcançar resultados.
Autorregulação integrada — a fusão da motivação intrínseca e extrínseca. O trabalhador sente prazer na atividade que é realizada para atingir um objetivo externo. Esta é a forma mais autônoma e autodeterminada de motivação extrínseca. Um exemplo dessa autorregulação é o representante de HSE. Neste estágio, pode-se observar um maior engajamento no processo, melhor qualidade de execução, conquistas mais elevadas e uma tendência a não abandonar a atividade.
Motivação intrínseca.
O comportamento intrinsecamente motivado facilita a execução de tarefas, a preferência por desafios maiores e o surgimento de um sentimento de entusiasmo e prazer no trabalho. Ele pode durar muito tempo mesmo na ausência de reforços externos. Em cada tipo de atividade, um indivíduo pode iniciar o movimento a partir de qualquer estágio; não é obrigatório que tudo comece pela Amotivação.