A redução de acidentes graves e fatais em 70% em dois anos não é apenas um número, mas o resultado de uma transformação sistêmica nas abordagens de HSE. Num contexto em que muitas empresas enfrentam uma atitude formal em relação à segurança, a experiência de implementação de novas ferramentas torna-se criticamente importante para o desenvolvimento do setor. Em um diálogo aberto, Ekaterina Rogova, gerente de projetos de desenvolvimento da cultura de produção da empresa Metalloinvest, analisa como foi possível alcançar tais indicadores e quais desafios foram enfrentados ao longo do caminho.
A palestrante enfatiza uma posição fundamental: o fator humano não existe. O que costuma ser chamado de erro do trabalhador é, na maioria das vezes, consequência de imperfeições no sistema, nas condições ou na organização do trabalho. Se a investigação de um incidente termina com a conclusão de «negligência pessoal», isso significa que a causa raiz não foi encontrada.
A apresentação analisa detalhadamente o exemplo dos calços de roda para caminhões basculantes pesados. Os trabalhadores não os usavam não por negligência, mas porque o peso do calço chegava a 40 kg. A solução foi a compra de calços de material composto pesando de 7 a 10 kg. Este caso demonstra claramente: a segurança deve ser conveniente. Se o cumprimento das regras for fisicamente difícil ou ilógico, elas serão violadas.
A transformação não pode ocorrer instantaneamente. A palestrante mostra, usando o exemplo de sua empresa, que a implementação de novas práticas deve ser sequencial. Primeiro, os gestores foram treinados no básico — como conduzir corretamente as inspeções de linha e a comunicação com os trabalhadores. Só depois disso começou a implementação do sistema de gestão de riscos.
Essa abordagem evita a sobrecarga da equipe e uma atitude formal em relação às novas ferramentas.
Quaisquer mudanças de baixo para cima estão fadadas ao fracasso sem o apoio da alta administração. Ekaterina Rogova observa que o envolvimento dos gestores de linha só é possível quando a alta gestão transmite abertamente a prioridade da segurança. Por exemplo, recompensar os trabalhadores por interromperem justificadamente um trabalho inseguro.
Para superar a resistência no local, a criação de rankings funciona de forma eficaz. A comparação de departamentos e gestores cria um efeito competitivo. Ao mesmo tempo, é importante não punir os que ficam para trás, mas dar a palavra aos líderes do ranking para que compartilhem suas experiências de sucesso. Outro método eficaz é o reconhecimento público dos méritos até mesmo dos gestores mais céticos, o que ajuda a estabelecer um diálogo construtivo.
A falta de fundos para a modernização em larga escala dos equipamentos é um problema comum. A palestrante analisa a abordagem para priorizar riscos. É impossível eliminar todas as ameaças simultaneamente. É importante classificá-las e agir em etapas:
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Comentários 3
Manter equilíbrio nos prêmios?
Nominação "livre" para incluir essas pessoas.
Mostrar o checklist de rondas?
Infelizmente é propriedade intelectual.
Medir a cultura de segurança com a curva Bradley em grandes empresas?
Amostra mais ampla. Para cada 1.000 trabalhadores, pesquisamos 100.
Não há fator humano mas cultura organizacional interna?
O fator humano é como uma tela mosquiteira com furos. A cultura é como a cor das cortinas.
Manter o interesse dos mentores?
Ideologicamente: treine seu assistente e será mais fácil. Promoção pelo superior, campanhas PR, feedback individual.
Critérios de avaliação dos gestores?
Revisados semestralmente. Áreas fracas integradas na avaliação.
Pontos por auditorias comportamentais?
Não, apenas por riscos identificados.
Auditorias positivas repetitivas — como combater?
Graduação: 1ª auditoria = 5 pontos, 2ª = 4, 3ª = 3, etc.
Como reduzir lesões por fator humano (além de treinamentos)?
Tornar a segurança FÁCIL e confortável.
O que mudaria eliminando o conceito de cultura de segurança?
Espero que nada))) Passamos para a cultura produtiva onde segurança é um terço.
Como motivar sem orçamento?
Cartas de agradecimento por ações concretas. Orçamento mínimo, efeito máximo.
O que fazer quando o chefe é competente mas não líder?
Encontrar um motor interno, uma autoridade informal na equipe.
O que fazer com 1 hora/mês de treinamento?
Passar para treinamento prático (discreto) durante rondas na planta.
Instrutores saem após 2 anos...
Carreira: 6 meses → instrutor sênior, 1 ano → especialista em riscos, 2 anos → transferência para produção.
Resistência dos gestores?
A cada hora nos primeiros 6 meses. KPI incluídos, premiação, busca de apoio da direção.