Diálogo aberto com Ekaterina Rogova: como reduzir acidentes graves em 70% em 2 anos

Caso
14 julho 2025 🇷🇺 Idioma original: русский

Transformação da cultura de segurança: do formalismo aos resultados reais

A redução de acidentes graves e fatais em 70% em dois anos não é apenas um número, mas o resultado de uma transformação sistêmica nas abordagens de HSE. Num contexto em que muitas empresas enfrentam uma atitude formal em relação à segurança, a experiência de implementação de novas ferramentas torna-se criticamente importante para o desenvolvimento do setor. Em um diálogo aberto, Ekaterina Rogova, gerente de projetos de desenvolvimento da cultura de produção da empresa Metalloinvest, analisa como foi possível alcançar tais indicadores e quais desafios foram enfrentados ao longo do caminho.

O mito do fator humano

A palestrante enfatiza uma posição fundamental: o fator humano não existe. O que costuma ser chamado de erro do trabalhador é, na maioria das vezes, consequência de imperfeições no sistema, nas condições ou na organização do trabalho. Se a investigação de um incidente termina com a conclusão de «negligência pessoal», isso significa que a causa raiz não foi encontrada.

A apresentação analisa detalhadamente o exemplo dos calços de roda para caminhões basculantes pesados. Os trabalhadores não os usavam não por negligência, mas porque o peso do calço chegava a 40 kg. A solução foi a compra de calços de material composto pesando de 7 a 10 kg. Este caso demonstra claramente: a segurança deve ser conveniente. Se o cumprimento das regras for fisicamente difícil ou ilógico, elas serão violadas.

Implementação gradual de mudanças: do «alfabeto» aos sistemas complexos

A transformação não pode ocorrer instantaneamente. A palestrante mostra, usando o exemplo de sua empresa, que a implementação de novas práticas deve ser sequencial. Primeiro, os gestores foram treinados no básico — como conduzir corretamente as inspeções de linha e a comunicação com os trabalhadores. Só depois disso começou a implementação do sistema de gestão de riscos.

  • Norma de condições: a capacidade de ver os riscos em um ambiente estático.
  • Norma de trabalho: avaliação de riscos durante a execução das operações.
  • Norma do líder: envolvimento de supervisores e gestores de linha na gestão proativa de segurança.

Essa abordagem evita a sobrecarga da equipe e uma atitude formal em relação às novas ferramentas.

Envolvimento de gestores e combate à resistência

Quaisquer mudanças de baixo para cima estão fadadas ao fracasso sem o apoio da alta administração. Ekaterina Rogova observa que o envolvimento dos gestores de linha só é possível quando a alta gestão transmite abertamente a prioridade da segurança. Por exemplo, recompensar os trabalhadores por interromperem justificadamente um trabalho inseguro.

Para superar a resistência no local, a criação de rankings funciona de forma eficaz. A comparação de departamentos e gestores cria um efeito competitivo. Ao mesmo tempo, é importante não punir os que ficam para trás, mas dar a palavra aos líderes do ranking para que compartilhem suas experiências de sucesso. Outro método eficaz é o reconhecimento público dos méritos até mesmo dos gestores mais céticos, o que ajuda a estabelecer um diálogo construtivo.

Gestão de riscos com orçamento limitado

A falta de fundos para a modernização em larga escala dos equipamentos é um problema comum. A palestrante analisa a abordagem para priorizar riscos. É impossível eliminar todas as ameaças simultaneamente. É importante classificá-las e agir em etapas:

  • Vejo — elimino imediatamente: resolução de pequenos problemas no nível do chefe do setor.
  • Medidas compensatórias: se o risco não puder ser eliminado imediatamente (por exemplo, devido à necessidade de uma grande reforma), medidas temporárias são aplicadas, como a emissão de EPIs adicionais ou a redução da produção. A responsabilidade por isso recai sobre a gestão da empresa.
  • Parada do equipamento: em caso de riscos críticos que exigem investimentos sérios, a decisão é tomada pelo principal executivo da empresa.

O que você aprenderá neste webinar:

  • Como parar de atribuir incidentes ao «fator humano» e encontrar as verdadeiras causas raízes?
  • Por que o treinamento em HSE deve ser orientado para a prática e ocorrer diretamente no chão de fábrica?
  • Como usar rankings para envolver gestores de linha sem aplicar multas?
  • O que fazer se o orçamento para modernização for limitado e os equipamentos estiverem obsoletos?
  • Como construir um sistema de comunicação em cascata para que as informações sobre riscos cheguem do trabalhador ao CEO?
Para membros Pro e VIP
Resumo estruturado com orçamento, prazos, equipe e ferramentas.
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Comentários 3

Hse Days
Hse Days há 10 meses

Manter equilíbrio nos prêmios?

Nominação "livre" para incluir essas pessoas.

Mostrar o checklist de rondas?

Infelizmente é propriedade intelectual.

Medir a cultura de segurança com a curva Bradley em grandes empresas?

Amostra mais ampla. Para cada 1.000 trabalhadores, pesquisamos 100.

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Hse Days
Hse Days há 10 meses

Não há fator humano mas cultura organizacional interna?

O fator humano é como uma tela mosquiteira com furos. A cultura é como a cor das cortinas.

Manter o interesse dos mentores?

Ideologicamente: treine seu assistente e será mais fácil. Promoção pelo superior, campanhas PR, feedback individual.

Critérios de avaliação dos gestores?

Revisados semestralmente. Áreas fracas integradas na avaliação.

Pontos por auditorias comportamentais?

Não, apenas por riscos identificados.

Auditorias positivas repetitivas — como combater?

Graduação: 1ª auditoria = 5 pontos, 2ª = 4, 3ª = 3, etc.

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Hse Days
Hse Days há 10 meses

Como reduzir lesões por fator humano (além de treinamentos)?

Tornar a segurança FÁCIL e confortável.

O que mudaria eliminando o conceito de cultura de segurança?

Espero que nada))) Passamos para a cultura produtiva onde segurança é um terço.

Como motivar sem orçamento?

Cartas de agradecimento por ações concretas. Orçamento mínimo, efeito máximo.

O que fazer quando o chefe é competente mas não líder?

Encontrar um motor interno, uma autoridade informal na equipe.

O que fazer com 1 hora/mês de treinamento?

Passar para treinamento prático (discreto) durante rondas na planta.

Instrutores saem após 2 anos...

Carreira: 6 meses → instrutor sênior, 1 ano → especialista em riscos, 2 anos → transferência para produção.

Resistência dos gestores?

A cada hora nos primeiros 6 meses. KPI incluídos, premiação, busca de apoio da direção.

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