Realizamos avaliações de risco, implementamos práticas modernas e buscamos constantemente novas soluções para minimizar e prevenir incidentes, mas eles acontecem, e ninguém pode eliminá-los completamente no futuro.
Em seguida, nós os investigamos, procuramos as causas, os erros sistêmicos e trabalhamos em medidas que devem minimizar a sua repetição.
Como resultado, analisamos o que deu certo e se tudo está funcionando com as novas abordagens.
Mas com que frequência pensamos sobre o que acontece na fase de um incidente que acabou de ocorrer?
Esta fase tem uma importância colossal não apenas do ponto de vista da coleta de fatos e evidências no local e do interrogatório de testemunhas, mas também em termos de gestão das emoções e ações — da pessoa acidentada, do seu gestor e de nós mesmos. Afinal, nem sempre recebemos a notícia de um incidente enquanto estamos no trabalho.
A avaliação de riscos e o conhecimento dos perigos no local de trabalho têm um peso significativo na formação do estado interno dos trabalhadores, gestores e do departamento de HSE — saber de onde esperar possíveis problemas e quais podem ser as consequências, preparando-se assim moralmente para tais situações. Mas não deve haver um efeito de complacência: também ocorrem eventos que ninguém espera. Assim, feliz ou infelizmente, a segurança também evolui. Isso afeta a gestão das emoções no momento de um incidente? Sim, mas não 100%.
Comecemos pelo trabalhador acidentado como a figura principal e, possivelmente, o culpado.
Cada um de nós já experimentou o que sente uma pessoa com muita dor. Isso irrita, faz com que se tomem atitudes impensadas e gera nervosismo.
O que sente uma pessoa quando os produtos acabados estão pegando fogo em grande escala no equipamento pelo qual é responsável? É medo, desconforto, ansiedade, o desejo de consertar tudo imediatamente — de "apagar o incêndio".
Serão apropriadas perguntas imediatas como: "Por que você fez isso?", "No que você estava pensando?" e coisas do gênero? Claro que não.
O próprio funcionário consegue lidar com as suas emoções nesse estado? A minha experiência mostra que, na maioria dos casos, não.
Ao mesmo tempo, muito depende do caráter, do temperamento, da fisiologia, da experiência e das circunstâncias em que tudo aconteceu (se vão rir dele, se será punido financeiramente, se será demitido, se ficará incapacitado). A vítima, em regra, está em estado de choque, pode começar a prestar os primeiros socorros a si mesma de forma incorreta, pode não confiar em qualquer colega para fazê-lo, ou pode até estar disposta a continuar trabalhando com uma ferida profunda, mesmo que tratada. Afinal, a sua meta de produção está "pegando fogo", e em casa todos o esperam e precisam comer.
E aqui é importante como o gestor vai reagir. Ele precisa tomar uma decisão ali mesmo, naquele exato momento: o que fazer, como prestar os primeiros socorros. Quem fará isso?
Em primeiro lugar, os líderes (mestres, encarregados, chefes), aqueles que precisam passar por um curso prático aprofundado ministrado por profissionais experientes (médicos reanimadores, socorristas), como a Cruz Vermelha, por exemplo. Aqueles que estão familiarizados com situações reais da vida e que explicarão calmamente tudo como é — todos os prós e contras, permitirão a prática, analisando os detalhes, sem substituir o treinamento interno.
Mas nem toda empresa possui o seu próprio posto médico devido ao seu pequeno porte. Afinal, não se pode obrigar qualquer funcionário a prestar primeiros socorros — pode-se educar, treinar, mas não forçar, apenas exigir que chamem uma ambulância.
O gestor pode ter sido nomeado recentemente e pode lhe faltar experiência e sangue-frio. O papel do departamento de HSE consiste, entre outras coisas, em discutir essas ações, possíveis cenários e fornecer manuais durante a integração no cargo. Mas até que o próprio gestor sinta a responsabilidade na pele, o seu papel em relação à vítima — ele não compreenderá todas as nuances e consequências.
E também é preciso decidir quando, quem e se é sequer possível continuar trabalhando naquela área. E isso representa uma enorme pressão, um estresse adicional à compreensão do que lhe acontecerá por causa desse incidente.
Mas onde podem nos ensinar como nos comportar? Que curso devemos fazer? Quanta experiência é necessária para entender como conduzir um diálogo no momento de um incidente?
Independentemente de quem esteja à nossa frente, devemos "oferecer um ombro amigo", ser um amigo, um pai — acalmar, aquecer, dar água, mudar de ambiente, conversar sobre algo não relacionado.
O papel mais importante do departamento de HSE é estar presente: no local, ao telefone, demonstrando o máximo de sangue-frio nas palavras e no comportamento, por mais assustadora que pareça a cena do incidente.
Afinal, nós também sentimos estresse e pressão para tomar decisões, mas devemos estar preparados para isso — isso é profissionalismo. Aqui, o nosso caráter, resiliência, confiança e temperamento já são importantes. E só podemos ser ajudados por colegas de departamento, familiares ou amigos. Afinal, nós — como última instância — colocamos tudo em ordem, envolvendo os gestores que já se recuperaram (incluindo a alta administração) na fase de investigação.
Acredito que toda essa experiência pode ser transmitida, destacando os pontos principais, mas acho improvável que um novo especialista compreenda tudo de imediato e encontre a sua própria abordagem em cada um dos papéis.