🛡️ Safety: Programa de observações de segurança (UC RUSAL) | Parte 3

🛡️ Safety: Programa de observações de segurança (UC RUSAL) | Parte 3

12 outubro 2026 🇷🇺 Original: русский 1 min de leitura
«— Para mim, tudo isso é um mistério incompreensível — confessei —, e quanto mais avançamos, mais enigmático ele se torna. — Para mim é o oposto — respondeu Holmes —, o caso clareia a cada minuto». — Arthur Conan Doyle, «O Signo dos Quatro»

1. Uma breve palavra sobre os fundamentos, ou as «engrenagens» da abordagem sistêmica

O termo «Vitórias Rápidas» é amplamente conhecido entre os profissionais de HSE. No entanto, nem todos sabem como essa ferramenta funciona na prática — relatos de casos reais, infelizmente, são raros por aqui. Na parte anterior deste artigo (https://hsedays.com/pt/insights/safety-observations-rusal-part-2), procurei preencher essa lacuna.

Como vimos, as vitórias rápidas dão à equipe de mudança o primeiro impulso e a confiança no sucesso. Isso é extremamente importante na fase inicial. No entanto, qualquer início só faz sentido se for seguido por mudanças sistêmicas e pela execução planejada das tarefas. E, para isso, já são necessários esforços contínuos: um programa de gestão.

Aqui vale uma ressalva: a palavra «programa» costuma ser associada exclusivamente a computadores, smartphones e outros dispositivos. Mas, neste caso, trata-se de algo completamente diferente.

💡 Programa de gestão — é um módulo integrado ao sistema de HSE que reúne os elementos necessários para solucionar com eficácia um conjunto específico de desafios práticos: regras e procedimentos, métodos e ferramentas, decisões e planos de ação.

Refiro-me aos processos de gestão responsáveis pela eficácia de uma atividade específica diante de cenários em constante mudança. Isso é alcançado por meio de uma abordagem sistêmica — planejamento, execução, controle e aprimoramento contínuo —, conforme previsto no clássico ciclo PDCA de W. Edwards Deming.

Você pode encontrar referências aos principais programas estruturantes de gestão no artigo «Safety: Desvendando o sistema» (https://hsedays.com/pt/insights/safety-management-system-unpacking).

Evidentemente, para que um programa de gestão funcione, são necessárias a determinação da liderança, uma equipe alinhada e os recursos adequados.

Comprovei na prática mais de uma vez: qualquer programa que realmente funcione deve incluir oito elementos essenciais:

  1. Documento normativo: regulamento, política interna ou padrão.
  2. Estrutura organizacional: participantes e a definição de seus papéis, autoridade, responsabilidades e recursos.
  3. Capacitação: treinamento da equipe e desenvolvimento de competências.
  4. Ferramentas de TI: soluções digitais para apoiar os processos.
  5. Comunicação: disseminação de informações e feedback em todos os níveis.
  6. Motivação: sistema de engajamento e incentivo aos participantes.
  7. Definição de metas: estabelecimento de KPIs e monitoramento de resultados.
  8. Auditorias: avaliação periódica de eficácia.

Essas são as principais «engrenagens» do programa «Olhe ao Redor». Vamos analisá-las mais de perto.

2. Projetando a evolução — ampliando o círculo!

Para que o «Olhe ao Redor» ganhasse uma base sólida e uma estrutura clara, precisávamos começar pela elaboração de um documento normativo — a diretriz corporativa do programa.

Ao elaborá-lo, procuramos incorporar todos os princípios fundamentais da atuação proativa (https://hsedays.com/pt/insights/safety-observations-rusal-part-1).

💡 Onde não há padrão, não pode haver melhoria. Os padrões são a base tanto para a sustentação quanto para o avanço, — Masaaki Imai, fundador do conceito Kaizen.

O maior desafio esteve na sua adaptação e ajuste fino.

Decidimos buscar o melhor equilíbrio: analisar a experiência de nossas unidades, selecionar a melhor prática e iniciar seu desenvolvimento gradual, aprimorando a qualidade passo a passo.

Essa abordagem evolutiva serviu de base para o nosso documento.

Entre debates e discussões dinâmicas, eu e meus colegas não apenas idealizamos, mas projetamos efetivamente um sistema totalmente novo de controle de segurança.

Reconhecemos o modelo de controle em quatro etapas como o mais adequado, modernizamos sua estrutura, agregando-lhe uma qualidade inteiramente nova, e o expandimos para todas as unidades da companhia.

A quarta etapa fechou com coerência o ciclo de gestão no mais alto nível. Agora, o diretor-geral da fábrica participa pessoalmente das observações de segurança, atuando como líder e principal motor de todo o sistema.

Essa decisão materializou diretamente o conceito de HSE Line Ownership: a segurança operacional é responsabilidade direta das lideranças de linha, a começar pela alta gestão.

💡 Quando falo em «comprometimento», refiro-me ao diretor-geral participando ativamente e fazendo as coisas acontecerem, e não apenas dizendo: «Sim, eu aprovo isso, aqui está o dinheiro», — Philip Crosby, pioneiro da gestão preventiva e da metodologia «Zero Defeitos»

A segunda inovação de fundamental relevância foi a ampliação máxima do círculo de participantes — «olhos atentos nunca são demais!»

Preservando as atribuições originais das lideranças operacionais, integramos ao processo de controle os «voluntários» — todos os colaboradores ativos e engajados das unidades, contratados e até mesmo visitantes.

Nenhuma imposição — a aposta esteve unicamente no desejo genuíno de colaborar.

Como resultado, nosso esquema de observações de segurança adquiriu um formato integral (figura 1).

Figura 1. Quatro etapas de observações de segurança
Figura 1. Quatro etapas de observações de segurança

Buscamos sintetizar a essência do programa «Olhe ao Redor» com a máxima clareza — de modo que cada participante guardasse imediatamente o essencial:

  • Não passe direto. A identificação e a eliminação diária de perigos é dever de todos.
  • Viu desordem? Elimine-a de imediato.
  • Identificou um perigo? Torne-o visível aos outros, alerte as pessoas ao redor e comunique o líder.
  • Lembre-se do principal: não inicie o trabalho se ele não puder ser executado com total segurança.
💡 O papel da gestão é transformar o processo, e não pressionar as pessoas para que trabalhem melhor, — W. Edwards Deming, precursor da moderna gestão da qualidade

Nosso novo documento normativo formalizou os processos organizacionais-chave:

  • Papéis dos participantes e limites de suas responsabilidades.
  • Procedimento para a atuação diante de atos inseguros, condições perigosas e boas práticas de trabalho seguro.
  • Treinamento obrigatório: integração e reciclagem periódica — para todo o efetivo.
  • Organização das observações de segurança em todos os níveis de gestão.
  • Critérios para aplicação de KPIs individuais e coletivos.
  • Suporte técnico por parte dos especialistas em HSE.
  • Monitoramento e alinhamento dos resultados no âmbito da direção da fábrica.
  • Estímulos e engajamento dos participantes para uma atuação ativa e dedicada.

Além disso, desenhamos um roteiro específico para a implementação do programa «Olhe ao Redor» nas demais unidades da companhia.

Se você já conhece a estratégia Vision Zero, pode constatar como ela se converte em processos operacionais práticos.

3. Papéis e protagonistas

A lógica do «Olhe ao Redor» é regida por três papéis essenciais e pelo ciclo fechado de sua interação: da identificação do perigo até a sua efetiva neutralização.

Cada participante precisa dominar com precisão a sua área de atuação…

Observador

Qualquer um pode atuar nessa função: um operador, um prestador de serviços, um profissional administrativo, um visitante, um colaborador da matriz em visita técnica e até mesmo um auditor-fiscal do trabalho. O papel do observador é extremamente claro: ele é os olhos e os ouvidos do nosso sistema.

Gestor

Referimo-nos ao gerente de setor, chefe de departamento ou supervisor de área. Esses profissionais constituem o elo-chave no controle da segurança. E sem interpostas pessoas ou substitutos!

Esse líder atua como o proprietário dos riscos e responde pessoalmente por tudo o que acontece em sua área, até mesmo pelo comportamento de colaboradores e contratados.

Sua atribuição é responder de imediato. Por isso, os apontamentos de perigos chegam diretamente a ele. Ele valida as ocorrências e coordena prontamente a execução dos planos de ação corretivos.

Concedemos ao gestor ampla autonomia decisória. Ele pode descartar um registro improcedente, «dar baixa» em uma medida concluída ou devolvê-la para readequação.

Demos atenção prioritária à prerrogativa do gestor de motivar as equipes para práticas seguras. Em certas plantas, supervisores e até chefes de setor historicamente careciam de autoridade formal. E, mesmo onde esse poder existia, as chefias hesitavam em utilizá-lo, por falta de clareza quanto ao rito ou por considerá-lo excessivamente burocrático.

Para superar esse obstáculo e prover as lideranças de mecanismos reais de intervenção direta, foi preciso rever as diretrizes em todo o Grupo RUSAL. Disso originou-se uma nova norma corporativa da UC RUSAL, alicerçada nos princípios da motivação progressiva dos trabalhadores para a segurança laboral.

Em nosso modelo, essa motivação configura um conjunto de intervenções graduais sobre o colaborador. Seu propósito não é a punição, mas a adequação de comportamento das equipes e a prevenção contra a reincidência de desvios e condutas de risco.

O princípio das ações corretivas progressivas requer uma análise dedicada; por isso, expomos a seguir somente o seu esquema conceitual (figura 2).

Figura 2. Princípio da motivação progressiva dos colaboradores para o trabalho seguro
Figura 2. Princípio da motivação progressiva dos colaboradores para o trabalho seguro
💡 A regra de ouro da motivação progressiva — justiça, transparência e certeza das consequências.

Contudo, medidas meramente «disciplinares» não são suficientes para consolidar um hábito coletivo duradouro de segurança.

Como nossa meta mais ampla era transformar a cultura corporativa, introduzimos também abordagens «positivas» de incentivo, proporcionando equilíbrio ao sistema.

Confiamos esses recursos aos líderes operacionais — embora, para a divisão corporativa de RH, esse direcionamento soasse incomum e até ousado.

Esse é um daqueles cenários em que as inovações se chocam com as tradições internas consolidadas, exigindo uma deliberação firme da alta liderança.

Controlador
Esse papel é atribuído aos especialistas de HSE. Os controladores não se envolvem na correção pontual de desvios — cabe a eles enxergar o panorama completo. Eles contam com visibilidade integral de todas as observações registradas. Havendo necessidade, o controlador pode atuar em qualquer etapa do fluxo: corrigir inconsistências e até apoiar o gestor caso este encontre dificuldades.

A área de HSE assegura:

  1. Suporte técnico especializado aos participantes.
  2. Controle geral da qualidade das observações.
  3. Análise sistemática dos resultados alcançados.
  4. Feedback estruturado ao diretor-geral e aos gestores de área.
💡 O trabalho deve se organizar em torno de papéis, e não de cargos, — Akio Toyoda, líder histórico da Toyota Motor Corporation

Ao mobilizar um número expressivo de pessoas no processo de observações, nosso propósito foi torná-lo descomplicado e prático para todos os participantes.

Imaginemos uma situação corriqueira: um colaborador recém-contratado percebe uma situação de perigo em algum ponto de uma grande fábrica. Será que ele é sempre capaz de apontar o local exato? Conhece ao menos a denominação do setor e o nome da chefia responsável?

E, caso não saiba, o que ele provavelmente fará? Irá procurar insistentemente quem souber ou apenas passará batido? E o que você faria no lugar dele?

Em circunstâncias assim, as pessoas rapidamente se tornam indiferentes.

Por isso, em vez de siglas indecifráveis ou designações extensas de setores — que, além do mais, mudam frequentemente —, estruturamos em cada planta um catálogo exaustivo e facilmente reconhecível de unidades de monitoramento: galpões industriais, oficinas, laboratórios, refeitórios, portarias, estacionamentos e até áreas cedidas em locação.

Fixamos a responsabilidade pessoal de cada gestor operacional sobre uma unidade específica de monitoramento — rigorosamente sob a diretriz de um único responsável por área. A partir desse momento, quando o observador detecta um risco, seu reporte segue direto para o «guardião» daquele setor.

Eliminamos as «terras de ninguém» no mapa da fábrica e delegamos o controle a quem de fato gerencia os processos.

A delimitação clara de papéis, atribuições e zonas de responsabilidade foi decisiva para identificar os recursos que precisávamos disponibilizar aos envolvidos nas observações. Posteriormente, isso serviu de base para o desenvolvimento do sistema corporativo de TI «Olhe ao Redor».

*   *   *

Não perca na próxima parte:

  • Como preparamos os observadores para dominar a sua atuação em campo.
  • Por que nada avança sem um circuito contínuo de feedback.
  • Em que terreno germinam as auditorias comportamentais de segurança.
  • Qual o investimento necessário para sustentar o entusiasmo das equipes.
  • Como os KPIs conseguem evoluir lado a lado com a maturidade do sistema.

Continua na próxima parte.

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