Evolução da cultura de segurança: dos procedimentos ao fator humano
O desenvolvimento da cultura de segurança em grandes empresas industriais é um processo contínuo que exige a revisão de abordagens consolidadas. Na indústria moderna, não basta simplesmente implementar regras e procedimentos rigorosos. A prática mostra que, mesmo com sistemas avançados de gestão de HSE, os incidentes continuam a ocorrer se os aspectos fundamentais do comportamento humano e as condições de trabalho não forem considerados. Tatiana Bobrovitskaya, Diretora Geral de HSE para a Rússia na Shell, analisa a evolução das abordagens da empresa em relação à segurança, com foco no papel da alta administração e em novos conceitos de gestão.
A palestrante demonstra, através da experiência negativa de outras empresas (em particular, a implementação de robotização nos armazéns da Amazon), como o foco excessivo em indicadores de negócios em detrimento do cuidado com os funcionários leva a um aumento acentuado nas lesões. A existência de procedimentos formais e serviços de HSE não compensa a carga de trabalho excessiva, as horas extras e a falta de cuidado real com o bem-estar dos colaboradores. Isso destaca a importância crítica do envolvimento da alta administração na criação de um ambiente de trabalho seguro.
O novo paradigma da Shell: Human Performance e Learning Mindset
A Shell, pioneira em muitos padrões do setor (como o conceito Goal Zero e as regras que salvam vidas), está a transitar para uma nova onda de desenvolvimento da cultura de segurança. A apresentação examina detalhadamente a abordagem baseada nos conceitos de Human Performance e Learning Mindset.
- Reconhecimento da inevitabilidade dos erros humanos → Por que é importante: Não existem pessoas perfeitas, e os erros ocorrerão mesmo com o cumprimento rigoroso dos procedimentos. → Como funciona: O foco muda da tentativa de eliminar completamente os erros para a minimização das suas consequências e a criação de sistemas resilientes ao fator humano.
- Abandono de KPIs rígidos sobre lesões gerais → Por que é importante: Parâmetros predefinidos de lesões (indicadores de atraso) frequentemente incentivam a ocultação de incidentes, em vez da sua prevenção. → Como funciona: A empresa passa a utilizar indicadores proativos focados na prevenção de acidentes, enquanto as estatísticas continuam a ser mantidas para análise de tendências, mas não são usadas como ferramenta de punição.
- Criação de um ambiente psicologicamente seguro → Por que é importante: O medo da punição bloqueia a discussão aberta sobre problemas e riscos potenciais. → Como funciona: É formada uma cultura na qual os funcionários não têm medo de relatar incidentes e quase-acidentes, permitindo que lições sejam aprendidas e acidentes mais graves sejam evitados.
Competências do líder em HSE
O papel da alta administração não se limita à alocação de recursos para o departamento de HSE. A liderança em segurança exige competências específicas e envolvimento pessoal contínuo.
- Compreensão dos riscos e consequências das decisões operacionais → Por que é importante: Decisões bem-intencionadas (por exemplo, prolongar turnos para reduzir o risco de COVID-19) podem levar a consequências imprevistas (aumento de lesões devido à fadiga). → Como funciona: O líder deve analisar o impacto das decisões de negócios na segurança e tomar medidas compensatórias.
- Foco em incidentes de alto potencial (High Potential Incidents) → Por que é importante: Incidentes que não resultaram em lesões, mas que tinham potencial fatal (por exemplo, queda de objetos em altura), indicam falhas sistémicas. → Como funciona: A alta administração analisa pessoalmente os resultados das investigações desses incidentes para implementar medidas corretivas em toda a organização.
- Reação correta aos incidentes → Por que é importante: Procurar um "bode expiatório" destrói a confiança e incentiva a ocultação de factos. → Como funciona: O líder, em primeiro lugar, demonstra cuidado com a vítima e a sua família, assume a responsabilidade e concentra-se em encontrar as causas sistémicas da falha.
Transmissão da cultura de segurança em joint ventures
Um desafio particular é o desenvolvimento da cultura de segurança em joint ventures, onde diferentes culturas corporativas e abordagens de acionistas colidem. A palestrante analisa os mecanismos de influência na segurança através do nível do conselho de administração.
- Discussão sobre segurança ao nível dos acionistas → Por que é importante: Isso permite definir um vetor de desenvolvimento unificado para a joint venture, apesar das diferenças de mentalidade das empresas-mãe. → Como funciona: As questões de segurança são incluídas na agenda de todas as reuniões do conselho de administração, e são realizadas sessões conjuntas para a alta administração das empresas acionistas para partilhar as melhores práticas.
- Padrões unificados para empreiteiros → Por que é importante: Os empreiteiros realizam uma parte significativa do trabalho de alto risco, e a sua cultura afeta diretamente o desempenho geral. → Como funciona: Os requisitos e abordagens da empresa são transmitidos à alta administração das organizações contratadas, garantindo o seu envolvimento na consecução dos objetivos comuns de segurança.
O que aprenderá neste webinar:
- Por que KPIs rígidos de lesões podem prejudicar a cultura de segurança e pelo que substituí-los?
- Como os conceitos de Human Performance e Learning Mindset mudam a abordagem à investigação de incidentes?
- Quais são os 5 hábitos que distinguem um líder eficaz em HSE?
- Como reagir corretamente aos incidentes para que os funcionários parem de ocultá-los?
- Como influenciar o nível de segurança em joint ventures através do conselho de administração?